segunda-feira, 25 de junho de 2012

Entrevista Completa à Revista Sorrisi e Canzoni (junho)

A entrevista de Tiziano Ferro antes do show no Olimpico di Roma
«Que alegria cantar nesse estádio!» 

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(fotografia: Massimo Sestini)
No Olimpico di Roma Tiziano Ferro cantou duas vezes em 2009, mas o estádio naquela ocasião era em 'capacidade reduzida'  « Eu fiz aqueles shows frente à uma curva [limites devido à gravação do DVD]» relembra. « Mas dessa vez terei todo o estádio para mim.». Para realizar a  sessão de fotos da capa, Tiziano e  Massimo Sestini se aventuraram, arriscando-se, em um local de Roma quase que inacessível. Tiziano olha várias vezes em direção ao Olimpico que, daqui de cima, talvez, dê menos medo. E confessa: «Há três anos atrás eu não gostei verdadeiramente».

Por que não?
«Porque não estava sereno, não tinha terminado ainda aquele percurso psicológico que hoje me permite viver a vida plenamente, compartilhando-a com todos».

Ao rever aquelas imagens não notamos sinais de infelicidade.
«Porque no palco eu estava bem, o ruim vinha depois. Assim que saía dos shows, desanimava, ficava triste. Ao invés de sair para festejar com a banda e meus amigos me entocava no quarto. . Naquele tempo estava em completo conflito comigo mesmo, me perguntando porque como nunca tanta gente ia aos meus shows. Entrava em cena nervosíssimo e pensava:"Mas vocês tem certeza?". Desta vez, porém, andarei os metros dos camarins ao palco com grande serenidade, alegria e vontade de compartilhar».

Você tem em mente alguma surpresa para o show de 14 de julho?
«Espero ter um grande convidado romano, mas não posso ainda revelar seu nome. E depois pegarei a escadinha e chamarei alguma 'jóia'. Não quero que sejam fãs de outras cidades, mas quero que este show seja um pouco especial. Porque volto para casa e quero agradar de um modo especial.».

Até o momento como o público dos shows receberam as músicas do seu novo álbum «L’amore è una cosa semplice»?
«Descobri que algumas músicas chegaram aos fãs com uma força maior do que eu esperava. E por causa dessa resposta escolhi o novo single».

Qual música você escolheu?
«A música que fecha o CD,“Per dirti ciao!”. O público canta como se fosse uma de minhas músicas históricas. Mesmo sendo ritmada é uma música  malincônica. Nasce da carta de uma jovem viúva, que me contou como as minhas canções fizeram parte da sua história de amor vivida com o marido».


Uma música pode mudar a vida?
«Eu desejo e espero que as minhas possam sugerir algo positivo às pessoas. Nos meus textos falo da minha vida e a coloco como exemplo, para o bem e para o mal. Eu mostro as minhas cartas, porque se depois alguém quer usar minha maneira de jogar, assim fará. Talvez sirva para evitar qualquer erro».

Hoje, quando canta as músicas de dez anos atrás, o que sente?
«Tenho carinho pelas músicas mais antigas, as escrevi entre 17 e 20 anos quando nem pensava que um dia as publicaria. Refletem o período da vida que você é dominado por sentimentos extremos como a inconsciência, a vontade de sumir, o medo de não fazê-la, todos sentimentos que agora derrotei. Por exemplo ainda canto  “Imbranato” mas não me sinto mais assim».
E «Xdono», o primeiro sucesso?
«É uma música que gosto, que me permitiu de chegar aqui, mas agora a canto por exaustão. É como pedir pro Jovanotti (cantor italiano) cantar  “È qui la festa?”. Na verdade neste ano no show a repaginei com a coreografia de hip hop».
E  qual música você tirou do show?
«A mais famosa é  “Scivoli di nuovo”. Tem um texto tão triste que não consigo mais identificar-me. E por isso a abandonei.».

Uma vez você disse à Sorrisi que com as músicas podia dizer coisas que nunca teria coragem de dizer 'na cara das pessoas'. Ainda é assim?
«A música é uma boa maneira para dizer as coisas, a minha preferida, mas agora não é a única. Existem duas grandes forças: a síntese e a capacidade de chegar em pouco tempo no dia-a-dia com a rádio, a TV e a Internet».

A propósito, você frequenta pouco as redes sociais. Por quê?
«Na verdade não frequento nada. Tentei com o Facebook mas foi uma experiência falida. Twitter nem sei como se faz e não tento descobri-lo. Deixo que se ocupem das minhas páginas oficiais meus amigos de casa discográfica, os meus fãs sabem disso».
[É verdade, sabemos mesmo!] 

De onde nasce essa aversão?
«Para mim as redes sociais representam uma invasão legalizada da privacidade, a maneira mais sutil e legalizada de fazer 'stalking' (perseguir). Porque é verdade que você em teoria decide as informações que quer compartilhar e com quem, mas não é bem assim. Cada um faz o que bem quer se quiser fazer e é uma coisa que me aterroriza por vários pontos de vista. Também porque, apesar de todas as melhorias que consegui para minha pessoa e à minha personalidade nos últimos dois anos, eu permaneço um tanto reservado e afastado».

Você sempre teve problemas com a fama. A situação melhorou?
«Não muito, mas é uma relação de amor e ódio com a qual aprendi a conviver serenamente. O sucesso terá tantos efeitos negativos mas proporciona um bom meio para fazer aquilo que gosto».

A fama. como no caso da Amy Winehouse e Whitney Houston, pode também matar…
«A morte de Amy me abalou, também levei flores ao cemitério hebraio ao norte de Londres. A conheci antes que ela fosse famosa, quando ainda se exibia nas casas de Camdem. Já nesse tempo ela sempre estava embriagada, mas sei porque ela fazia isso».

Por quê?
«Quando um anestesia a si mesmo tanto assim, com o álcool, com a droga, e eu fiz por muito tempo isso com a comida, faz isso porque tem um mundo interior tão grande que é impossível gerenciá-lo quando se torna famoso. Aquilo que aconteceu com ela e com a Whitney reforçou a minha convicção que se precisa aprender a dizer não para não se tornar vítima dos mecanismos da fama. O problema é que aquela sensibilidade, quando forte demais, te leva a pensar que dizer não é um erro e te faz parecer uma pessoa presunçosa, ruim e ingrata. Pelo contrário, os 'nãos' são uma maneira para instaurar um belíssimo relacionamento entre você e quem está ao seu redor. Um 'não' é um favor que acontece também à quem o recebe».

O seu amigo Ivano Fossati, que escreveu para você a música  «Indietro», saiu de cena. Você nunca pensou em fazer isso?
«Penso que o Ivano fez bem, o admiro e o respeito. O dia que eu fizer isso, não terei coragem nem de declarar nem de celebrar. Sairei em silêncio, como os gatos feridos que não querem mais serem vistos».
 [Sinto que vou chorar quando perceber que esse dia chegou...]

No tempo livre continua a escrever os seus cadernos que depois se tornam livros?
«Continuo a escrever os cadernos, mas chega de livros. O segundo já foi um apêndice, o capítulo que faltou e que explicava o que aconteceu depois do lançamento do primeiro livro. Essa história agora acabou. Contei uma linda fábula, aquela de Tiziano e do seu pequeno caixão sentimental guardado pelos monstros. Abrimos o caixão, caçamos os monstros e todos viveram felizes e contentes ».

É ainda está convicto que o amor seja uma coisa simples?
«Eu continuo a acreditar, pra mim agora é um mantra. Mas é óbvio que o dia-a-dia de uma vida em casal feita de convívio, e agora também de separações devido à tour, complica a vida à todos, mas faz também emergir os lados mais interessantes dos 'estar juntos', como a capacidade de adaptar-seás situações mais extremas. Descobre, por exemplo, que quanto se está longe faz falta também os defeitinhos que no dia-a-dia te irritam.  Enfim, nos seus mecanismos o amor pode também não ser simplíssimo, mas simplifica a vida. Porque me faz melhorá-la».
 Tradução: Adriana Silva

2 comentários:

Beethoven Lima disse...

Ótima tradução, perfeita!

Thama Alvez disse...

Otima entrevista!!!!!